eu quero tudo!
a joana é um monstro de boca grande e sem fundo,
um buraco negro,
bichinhos comendo por dentro,
um ímã gigante,
vento que não pára de ventar
a joana me assusta.
a joana é um monstro de boca grande e sem fundo,
Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…
ela diz:
foda. assim, bem agressivo, porque a coisa pede. não estou confusa, acho. porque sei que o dia que o oficial marcar a passagem eu vou ter que respirar fundo e acabar com essa brincadeira deliciosa. como é possível amar sem amar? aí eu percebo como a gente é frágil, carente, totalmente vulnerável a homens galanteadores que têm fusquinha e tocam piano. um jogo lento, envolvente, romântico. e se eu não tivesse o oficial e a certeza de que ele é a pessoa mais incrível e especial do mundo, estaria dando cambalhotas por aí, celebrando um novo amor. o oficial é mesmo tudo isso e um pouco mais. acontece que o outro anda me enfeitiçando. cada vez mais perto, cada vez mais dentro, cada vez mais fofo. eu juro que não sei como como fui deixando acontecer e se eu devia ter deixado. perdi o controle sem querer querendo. o pior é saber que vou ter que interromper e acabar com tudo da noite pro dia. o que vou fazer com as lembranças dos lugares, dos momentos, das frasesinhas e nomezinhos em segredo que já começam a surgir? já me imagino chorando, justificando, dizendo em soluços que quero me dar a chance de continuar tentando com o oficial. e isso vai ser a atitude mais racional de toda minha vida. porque, meu deus, eu estou apaixonada! semi-completamente. não sei se é por carência afetiva, sexual ou se é porque é, o fato é que puf, aconteceu. e o mais assustador é que é recíproco. não é um romance barato como de costume, não é mais um cara babaca, é o homem mais doce que batata doce. justo agora que eu precisava do pior dos piores, pra ir pro ralo no banho da manhã seguinte. sabe, eu já sou a flor do jardim dele, a bonita, a babe... maravilhosamente brega. e desesperador.
As mãos ágeis no piano de cauda me apresentavam Kurt Weill. Que ironia! Eu quis chorar por nós, mas não me permiti preocupar quem agora tentava me povoar de sonhos. Ele não merecia ver que você me emocionava. Fui até a cozinha pegar mais vinho, na tentativa de abafar a música que despertava em mim toda a saudade de uma vida não vivida. Um brinde! Mas vamos de Caetano, algo bem tropical, que me lembre a minha própria vida!
Eu sabia que tinha o tempo de um jantar pra explodir. No entanto, continuei calada, quando a vontade era de me contorcer toda e te arrancar uma surpresa, um apertão, um sim ou não. Talvez eu estivesse ali pra me despedir, ou testar essa alegria que me tomou inteira nos últimos dias, não consigo saber. Sei que preciso te pedir pra ficar mais um pouco, pra ficar mais, pra ficar sempre, mesmo longe com intoxicação alimentar. Nunca sei se estamos. A maçã, eu deveria ter mordido antes de te entregar, pra você medir o tamanho da minha boca, da minha fome. Mas até as maçãs ao teu lado me emudecem. Por quê? Porque se eu fosse uma maçã, teria a casca tão espessa que só dentes bem afiados chegariam à carne. Maçãs como eu não servem pra serem roídas aos poucos, por dentes mornos, numa degustação frágil e cheia de abismos. Quero, de presente de aniversário, que você me conte: de que tipo são seus dentes?