quinta-feira, agosto 18, 2011

eu quero tudo!

a joana é um monstro de boca grande e sem fundo,
um buraco negro,
bichinhos comendo por dentro,
um ímã gigante,
vento que não pára de ventar
a joana me assusta.

segunda-feira, agosto 02, 2010

google

Tenho trabalhado tanto, mas sempre penso em você. Mais de tardezinha que de manhã, mais naqueles dias que parecem poeira assenta e com mais força quando a noite avança. Não são pensamentos escuros, embora noturnos…

Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

Mas se você tivesse ficado, teria sido diferente?

Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente?

Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.

Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.

Mesmo que a gente se perca, não importa. Que tenha se transformado em passado antes de virar futuro. Mas que seja bom o que vier, para você, para mim. Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis.

. . . E eu acho que é por isso que te escrevo, para cuidar de ti, para cuidar de mim – para não querer, violentamente não querer de maneira alguma ficar na sua memória, seu coração, sua cabeça, como uma sombra escura.

(do Caio Fernando Abreu, não sei mais nada, pesquei na internet, sem querer)

terça-feira, maio 04, 2010

mal acostumada

ela diz:
não deixa ele gastar todo o amor assim rápido!
ela diz:
se não acaba!
ela diz:
hehe
ana diz:
ai, eu fiquei até com medo de não acabar nunca!
ana diz:
hahaha
ana diz:
parece muito amor pra mim, sabe?
ana diz:
não to acostumada
ana diz:
hahahahaha
ana diz:
ele me põe meia no pé!

terça-feira, fevereiro 23, 2010

foda. assim, bem agressivo, porque a coisa pede. não estou confusa, acho. porque sei que o dia que o oficial marcar a passagem eu vou ter que respirar fundo e acabar com essa brincadeira deliciosa. como é possível amar sem amar? aí eu percebo como a gente é frágil, carente, totalmente vulnerável a homens galanteadores que têm fusquinha e tocam piano. um jogo lento, envolvente, romântico. e se eu não tivesse o oficial e a certeza de que ele é a pessoa mais incrível e especial do mundo, estaria dando cambalhotas por aí, celebrando um novo amor. o oficial é mesmo tudo isso e um pouco mais. acontece que o outro anda me enfeitiçando. cada vez mais perto, cada vez mais dentro, cada vez mais fofo. eu juro que não sei como como fui deixando acontecer e se eu devia ter deixado. perdi o controle sem querer querendo. o pior é saber que vou ter que interromper e acabar com tudo da noite pro dia. o que vou fazer com as lembranças dos lugares, dos momentos, das frasesinhas e nomezinhos em segredo que já começam a surgir? já me imagino chorando, justificando, dizendo em soluços que quero me dar a chance de continuar tentando com o oficial. e isso vai ser a atitude mais racional de toda minha vida. porque, meu deus, eu estou apaixonada! semi-completamente. não sei se é por carência afetiva, sexual ou se é porque é, o fato é que puf, aconteceu. e o mais assustador é que é recíproco. não é um romance barato como de costume, não é mais um cara babaca, é o homem mais doce que batata doce. justo agora que eu precisava do pior dos piores, pra ir pro ralo no banho da manhã seguinte. sabe, eu já sou a flor do jardim dele, a bonita, a babe... maravilhosamente brega. e desesperador.
eu mereço! é culpa minha essa mania de ir até o fundo do que posso. mania que me fez convidá-lo pra viajar nesse feriado, e ele aceitou, e adorou e foi como se a gente tivesse selado nosso namorico.
mas como boa sofredora que sou, começo a me sentir duplamente culpada, pelo oficial, óbvio, e pelo outro, que não calcula o prejuízo e começa a se jogar mais e mais. e eu correspondo.
jesus, sou mais cafajeste que o jece valadão!

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Youkali

As mãos ágeis no piano de cauda me apresentavam Kurt Weill. Que ironia! Eu quis chorar por nós, mas não me permiti preocupar quem agora tentava me povoar de sonhos. Ele não merecia ver que você me emocionava. Fui até a cozinha pegar mais vinho, na tentativa de abafar a música que despertava em mim toda a saudade de uma vida não vivida. Um brinde! Mas vamos de Caetano, algo bem tropical, que me lembre a minha própria vida!
As mãos sensíveis de pianista a deslizar sobre a pele morena, redescobrindo cada detalhe do meu corpo que só você havia desvendado. Agora eu era uma mulher querendo revelar os segredos. E ele tinha esperado tanto tempo pra me provar que era um homem que diria sim, e não um menino medroso.
Foi quando percebi que ainda estava ali minha capacidade de amar.

terça-feira, dezembro 01, 2009

abandonada no altar

Será que existe o amor da vida II?

segunda-feira, novembro 02, 2009

A Maçã

Eu sabia que tinha o tempo de um jantar pra explodir. No entanto, continuei calada, quando a vontade era de me contorcer toda e te arrancar uma surpresa, um apertão, um sim ou não. Talvez eu estivesse ali pra me despedir, ou testar essa alegria que me tomou inteira nos últimos dias, não consigo saber. Sei que preciso te pedir pra ficar mais um pouco, pra ficar mais, pra ficar sempre, mesmo longe com intoxicação alimentar. Nunca sei se estamos. A maçã, eu deveria ter mordido antes de te entregar, pra você medir o tamanho da minha boca, da minha fome. Mas até as maçãs ao teu lado me emudecem. Por quê? Porque se eu fosse uma maçã, teria a casca tão espessa que só dentes bem afiados chegariam à carne. Maçãs como eu não servem pra serem roídas aos poucos, por dentes mornos, numa degustação frágil e cheia de abismos. Quero, de presente de aniversário, que você me conte: de que tipo são seus dentes?